ANO VI - NÚMERO 03 - BOLETIM DE MARÇO/26
BOLETINS DE OCORRÊNCIAS DE MARÇO DE 2026
Destaques: Apresentadora da RBS sofre agressões verbais antes de jogo de futebol no RS. Jornalista maranhense sofre busca e apreensão do STF.
SUL
Porto Alegre (RS) – A apresentadora Alice Bastos Neves, da
RBS TV, foi alvo de agressões verbais por parte de um torcedor do Internacional
nas arquibancadas do estádio Beira-Rio, na tarde de 9 de março, pouco antes da
cobertura do clássico Gre-Nal, pela final do Campeonato Gaúcho. O indivíduo
estava localizado de frente para a profissional, na arquibancada atrás da
casamata. Alice se preparava para entrar
ao vivo com informações da decisão quando ele, próximo ao local da gravação,
passou a xingá-la. Em imagens que circularam nas redes sociais, o torcedor
aparece mostrando o dedo do meio e gritando insultos contra a jornalista.
Usuários das redes sociais e entidades de classe manifestaram solidariedade à
profissional e classificaram o ato como mais um exemplo de violência e
machismo. O Grupo RBS e entidades de classe repudiaram as agressões e se
solidarizaram como a comunicadora.
SUDESTE
Rio de Janeiro (RJ) - A jornalista Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews, e seus familiares sofreram ameaças de intimidação e de violência física e sexual, depois que a emissora apresentou um infográfico sobre as investigações da liquidação do Banco Master em 20 de março. Desde o episódio, a jornalista tem recebido mensagens de teor misógino, agressivo, ameaçando sua integridade física e moral. Ela ainda foi alvo da produção de vídeos deepfake, com sua imagem manipulada digitalmente por inteligência artificial, que lhe atribui falsas afirmações. A GloboNews pediu desculpas em 23 de março considerando a arte equivocada durante o programa Estúdio i ao vivo pela jornalista Andréia Sadi.
O material exibido associava nomes de políticos ao caso envolvendo o Banco Master, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a emissora, a arte apresentava problemas de conteúdo e não seguia critérios editoriais adequados. O TV Pop apurou que o pedido de desculpas não foi a única medida adotada para tentar debelar a crise causa pela apresentação de PowerPoint. Uma editora acabou dispensada.São Paulo (SP) - O ex-banqueiro Daniel Vorcaro,
proprietário do Banco Master (em liquidação) tentou silenciar jornalistas com o
uso da intimidação e da violência, e inclusive cogitou arquitetar um assalto
violento, ou que simulasse cenário semelhante, contra o jornalista Lauro
Jardim, colunista do jornal O Globo. Outros jornalistas também foram ameaçados
nas redes sociais por reportar sobre o esquema de corrupção, fraude, lavagem de
dinheiro e danos ao sistema financeiro, correntistas e erário público, comandado
por Vorcaro, preso mais uma vez em 4 de março. Essas revelações constam de
informações tornadas públicas na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo
Tribunal Federal (STF), sobre a manutenção da prisão do empresário.
JUDICIAIS
Rio de Janeiro (RJ) – O jornalista Breno Altman, fundador do site Opera Mundi, se livrou de uma ação penal por suposta incitação e apologia ao crime em publicações feitas nas redes sociais em outubro de 2023. A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) concedeu habeas corpus ao profissional. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) havia apresentado uma notícia-crime contra Altman ao Ministério Público Federal. Nela, listava 15 publicações feitas pelo jornalista. “Podemos não gostar do Hamas, discordando de suas políticas e métodos. Mas essa organização é parte decisiva da resistência palestina contra o Estado colonial de Israel. Relembrando o ditado chinês, nesse momento não importa a cor dos gatos, desde que eles cacem ratos”, escreveu Altman em uma delas. A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o caso e concluiu que não havia crime nas publicações. Mesmo assim, o Ministério Público Federal apresentou denúncia à Justiça. Aceita parcialmente em primeira instância, ela foi derrubada pelo TRF-3. O relator, desembargador Ali Mazloum, concluiu que as mensagens de Altman se enquadram no campo da opinião política e estão protegidas pela liberdade de expressão. O Ministério Público Federal ainda pode recorrer da decisão aos tribunais superiores.São Paulo (SP) - O jornalista Luan Araújo foi condenado a
pagar um salário mínimo (R$ 1.621) por crime de difamação contra a ex-deputada
Carla Zambelli (PL), atualmente presa na Itália. Araújo é o homem que, em 2022,
às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, foi perseguido por
Zambelli na região dos Jardins, em São Paulo, após uma discussão. Acompanhada
por seguranças, a então deputada empunhava uma arma. A ação ocorreu na esquina
da rua Joaquim Eugênio de Lima com a alameda Lorena e foi filmada. Ela disse
que havia sido empurrada. Zambelli foi condenada pelo caso em agosto do ano
passado pelo STF pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento
ilegal. A pena foi de cinco anos e três meses de prisão em regime inicial
semiaberto, além do pagamento de uma multa correspondente a 400 salários
mínimos vigentes à época dos fatos. Ela também tem uma condenação a dez anos de
prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Foi após
essa condenação que ela fugiu para a Itália, onde acabou presa em julho do ano
passado.
Brasília (DF) - O jornalista Luís Ernesto Lacombe, ex-rede
Globo, hoje colunista do jornal Gazeta do Povo e residindo nos EUA, se livrou
de processo movido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em razão de um
vídeo de 2024 em que ele comparava o político com o Diabo. A decisão do juiz
Paulo Cerqueira Campos, do Tribunal de Justiça do DF também condenou Lula a
pagar as custas processuais de Lacombe, estipulados em cerca de R$ 9,3 mil.
Cabe recurso.
São Luis (MA) - O jornalista e blogueiro Luís Pablo Conceição Almeida teve celulares e computadores apreendidos pela Polícia Federal (PF) em 10 de março, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Almeida publicou, em seu blog, matérias sobre a utilização de um veículo funcional do Tribunal de Justiça do MA (TJ-MA) pelo ministro do STF Flávio Dino e seus familiares. As primeiras informações sobre o caso foram enviadas pela equipe de segurança do STF para a PF.
Com a instauração do inquérito, Moraes assumiu a relatoria porque os ministros consideraram que ela tinha relação com o inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ataques ao STF feitos por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A primeira matéria veio a público em 20 de novembro. Moraes afirmou na decisão, que está sob sigilo, haver “indícios relevantes” de que o jornalista incorreu no crime de perseguição, “a partir de publicações realizadas na internet e em redes sociais, atentando contra ministro do Supremo Tribunal Federal”. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e outras entidades manifestaram preocupação com a decisão do ministro.NORTE
Manaus (AM) - O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no
AM (Sinjor/AM) intensificou as ações de monitoramento e proteção à categoria
nos primeiros meses de 2026. No início de março, em reunião da Comissão sobre
Violência contra Jornalistas, integrada pelos jornalistas Isac Sharlon,
Henderson Martins e Alessandra Aline, a entidade oficializou um novo Protocolo
de Enfrentamento, desenhado para padronizar os canais de contatos e o
acolhimento de jornalistas vítimas de agressões no exercício da profissão. O documento
surge em um momento crítico: apenas nos primeiros 60 dias do ano, há o registro
de uma sucessão de casos graves, que variam de agressão física em delegacias a
tentativas de asfixia e intimidação por autoridades policiais. O objetivo é
denunciar os casos às autoridades de segurança, empresas, Defensoria Pública e
à sociedade em geral, criando uma rede de monitoramento e defesa dos
profissionais, pois só em 2025 foram registradas nove ocorrências até novembro.
CENTRO-OESTE
Brasília (DF) –- Os jornalistas que acompanhavam a
internação do ex-presidente Jair Bolsonaro no hospital em Brasília, foram
ameaçados e agredidos verbalmente. O caso envolve um vídeo publicado em 13 de
março por uma influenciadora simpatizante do ex-presidente que acusa os
repórteres presentes na porta do Hospital DF Star de desejarem a morte dele. O
conteúdo foi compartilhado por parlamentares e pela ex-primeira-dama Michelle
Bolsonaro, que conta com mais de 8 milhões de seguidores nas redes sociais. A
situação foi além das ofensas digitais. Pelo menos duas repórteres foram
reconhecidas e atacadas na rua. Nas redes, circularam montagens feitas com
inteligência artificial — incluindo um vídeo que simula o esfaqueamento de uma
das profissionais. Fotos de filhos e parentes de jornalistas também foram
usadas como ferramenta de intimidação. A situação levou entidades de
representação da categoria a divulgarem notas de repúdio e a cobrar das
autoridades medidas urgentes de proteção aos profissionais. Além disso, pediram
que a Polícia Civil e o Ministério Público identifiquem e punam os responsáveis
pelas ameaças e pela exposição indevida de dados pessoais dos profissionais.
...............
Fontes: ARI (www.ari.org.br), ABI (www.abi.org.br), Fenaj (www.fenaj.org.br), ANJ (www.anj.org.br), Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br), Abert (www.abert.org.br), Abraji (www.abraji.org.br), Portal Imprensa (www.portalimprensa.com.br), Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa (www.liberdadedeimprensa.org.br), Portal Coletiva (www.coletiva.net), Portal dos Jornalistas (https://www.portaldosjornalistas.com.br/), Jornalistas & Cia (https://www.jornalistasecia.com.br/), https://mediatalks.uol.com.br, Consultor Jurídico (https://www.conjur.com.br/areas/imprensa) e outras instituições e entidades de defesa do livre exercício da profissão de jornalista.
Pesquisa e edição: Vilson Antonio Romero (RS)
vilsonromero@yahoo.com.br
Comentários
Postar um comentário